sábado, abril 14, 2007

Liberdade, Ainda que Tardia


A sussurros e sussurros

A favor da independência

A mil vozes e murmúrios

Tramam a Inconfidência.


Se a derrama for lançada

Pelas ruas da cidade

Há levante, de verdade

Se a derrama for lançada

Há, de fato, Inconfidência

A favor da liberdade.


Porém, há um entretanto

Vila Rica arde em brasa

Ao relato do traidor

Joaquim Silvério dos Reis

Que os planos desfez

Confessou ao governador.


Mas a bandeira está lançada

No mundo que principia

E quer liberdade

Ainda que tarde

Com "liberdade ainda que tardia".


E grita o governador à praça

Em brasa

Num sinismo de silêncio

"Quem ousou a falar em liberdade

Esta palavra maldita

Que na colônia portuguesa

Os meus poderes limita?".


E Xavier, o Tiradentes

Deu-lhe pensamento hostil?

Deu-lhe alma de mártire?

Deu-lhe frio na barriga?

O que será que sentiu

Há pouco de perder sua vida?


A bandeira continua erguida

A favor da liberdade

Para ser enfim seguida

Mesmo que já tão tarde...


Libertas Quae Sera Tamen


*Hoje, encontrei este poema, escrito depois de uma aula de história na minha remota sétima série. Gostoso lembrar dos meus treze anos...