terça-feira, outubro 31, 2006

A Uma Atrevida



No escuro, no silêncio, n’amplidão. Sua voz ecoa em sentido impensável. E traz luz, traz sol, traz um fio de paz, que seja. Leio sua mudez numa noite irresgatável, resgatada pouco a pouco ao final de cada parágrafo. E minh’alma voa feito riso de criança...
Senti-la dentro do peito – e, às vezes, mesmo a meu lado – não é mera vaidade sustentada pelo inconsciente, tampouco invencionice. Senti-la dentro do peito é ter a certeza de que a próxima frase sempre valerá a pena e que cada entrelinha me trará o devido conforto.
Estranho conforto o que sinto quando leio pedaços de sua alma de imortal. Uma injeção letal de vida é aplicada simultaneamente em minha veia – não sei se vôo ou se fico. Quanto atrevimento invadir-me a alma numa noite irresgatável! E resgato noites e noites como esta a cada frase – pedaços no meu coração de poeta.
Credito tudo a uma atrevida, anarquista (graças a Deus!) e imortal.
Zélia Gattai.


*Esta é minha singela homenagem à querida Zélia. Leitora assídua de seus livros (biografias e invencionices), venho lhe passar por um texto minhas energias positivas, meu desejo de que ela fique bem. Vamos, menina atrevida (como diria Dona Angelina), levanta e pega a caneta, um livro ainda te aguarda!
Esta noite sonhei com Zélia.